Modernidade líquida, IA e os desafios da comunicação
A modernidade líquida e a Inteligência Artificial transformaram a comunicação. Entenda os desafios, riscos e o papel da ética e do humano nesse cenário.
Vivemos um tempo em que certezas escorrem pelas mãos. Relações, empregos, instituições e narrativas tornaram-se frágeis e mutáveis. O sociólogo Zygmunt Bauman definiu esse fenômeno como modernidade líquida — uma era marcada pela fluidez, pela instabilidade e pela velocidade das transformações.
Essa liquidez afeta profundamente o campo da comunicação. Em poucas décadas, as redes sociais redefiniram a forma como nos expressamos, consumimos informação e construímos reputações. A comunicação tornou-se fragmentada, imediata e, muitas vezes, superficial.
Com a chegada da Inteligência Artificial, vivemos uma nova inflexão. Ferramentas capazes de gerar textos, imagens e decisões automatizadas desafiam conceitos como autoria, originalidade e intenção. A comunicação, antes líquida, aproxima-se agora de um estado quase gasoso: ubíqua, automatizada e invisível.
Nesse cenário, a técnica, sozinha, não basta. O diferencial está no repertório, na leitura crítica de contexto e na ética. Profissionais capazes de interpretar o mundo, compreender dinâmicas sociais e construir sentido são os que conseguem comunicar com relevância em meio à volatilidade.
A pergunta central permanece: como comunicar com propósito, clareza e impacto em um ambiente dominado por algoritmos?
Talvez a resposta esteja em resgatar o que há de mais humano na comunicação. Porque, apesar dos avanços tecnológicos, são a sensibilidade, a ética e a capacidade de criar significado que sustentam uma comunicação verdadeiramente sustentável — capaz de gerar confiança, fortalecer reputações e conectar pessoas de forma genuína.
(Francisco Barros — jornalista, professor e diretor da Interativa Comunicação)
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